por Daniel Pipes
The Washington Times
10-14 de setembro de 2012
Barack Obama apareceu brandindo contra o seu rival republicano, patrocinando anúncios na televisão perguntando: "O que Mitt Romney está escondendo?" A alusão trata de questões relativamente secundárias como declarações de imposto de renda de anos anteriores de Romney, a data em que ele deixou de trabalhar para a Bain Capital e registros não públicos da sua prestação de serviços como dirigente das Olimpíadas de Salt Lake City e como governador de Massachusetts. Obama justificou suas exigências para que
Romney libere mais informações sobre si mesmo, ao declarar em agosto de 2012 que "O povo americano crê que se você deseja ser presidente dos Estados Unidos, a sua vida seja um livro aberto quando se trata de questões como suas finanças". Liberais como
Paul Krugman do New York Times endossam entusiasticamente tal enfoque no currículo de Mitt Romney.
Se Obama e seus partidários querem colocar em foco a biografia, ótimo, este é um jogo que dois podem jogar. O moderado, conciliatório
Romney já censurou a campanha para a reeleição de Obama como sendo "baseada em falsidade e desonestidade", a
campanha publicitária televisiva foi mais longe, asseverando que Obama "não diz a verdade".
O foco na franqueza e honestidade provavelmente irá prejudicar muito mais Obama do que Romney. Obama continua sendo o candidato misterioso com uma autobiografia repleta de hiatos e até de falsificações. Por exemplo, para vender a autobiografia em 1991, Obama alegava falsamente que "
que tinha nascido no Quênia." Mentiu sobre nunca ter sido membro e candidato do partido socialista
New Party de Chicago nos anos de 1990 e, quando Stanley Kurtz apresentou
evidências para constatar que ele era membro, Kurtz foi difamado e tratado com desdém pelos marqueteiros de Obama. A autobiografia de Obama de 1995, intitulada Dreams from My Father traduzido para o português como (A Origem dos Meus Sonhos), contém uma torrente de
erros
crassos e falsidades sobre seu avô por parte de mãe, seu pai, sua mãe, o casamento de seus pais, o pai do seu padrasto, seu amigo do ensino médio, sua namorada, Bill Ayers e Bernardine Dohrn e o Reverendo Jeremiah Wright. Como
Victor
Davis Hanson coloca, "se um autor inventa detalhes sobre a doença terminal da sua própria mãe e a busca pelo seguro, então ele provavelmente falsificará qualquer coisa".
Neste contexto mais amplo de falsidades sobre o seu passado surge a questão
sobre a discussão de Obama sobre a sua fé, talvez a mais peculiar e afrontosa de
todas as suas mentiras.
Contradições
Questionado sobre a religião da sua infância e adolescência, Obama apresenta
respostas contraditórias. Refinando a questão, em
março
de 2004 responde, "Você sempre foi cristão"? "Eu fui criado mais pela minha
mãe e a minha mãe era cristã". Mas em
dezembro
de 2007 ele decidiu, um tanto tardiamente, dar uma resposta direta: "Minha
mãe era uma cristã do Kansas. … eu fui criado pela minha mãe. Portanto, sempre
fui cristão". Entretanto em
fevereiro
de 2009, ele deu uma explicação completamente diferente:
Eu não fui criado em um lar mormente religioso. Eu tive um pai que nasceu
muçulmano, mas se tornou ateu, avós metodistas e batistas não praticantes e uma
mãe cética quanto às religiões organizadas. Eu não me tornei cristão até … mudar
para a região sul de Chicago após a faculdade.
Aprimorando ainda mais a resposta em
setembro
de 2010, disse: "Eu abracei a fé cristã mais tarde na vida".
Onde está a verdade? Obama "sempre foi cristão" ou "se tornou cristão" após a
faculdade? Contradizer-se em uma questão tão fundamental quanto a identidade,
quando adicionada ao questionamento geral a cerca da exatidão da autobiografia,
levanta perguntas sobre veracidade; será que alguém que estivesse falando a
verdade diria coisas tão variadas e contrárias sobre si mesmo? Inconsistência é
típico da invenção: quando se inventa uma história, é difícil manter-se fiel a
ela. Parece que Obama está escondendo algo. Ele era um filho laico de pais sem
religião? Ou será que ele sempre foi cristão? Ou muçulmano? Ou de fato, algo que
ele mesmo criou – cristão/muçulmano?
Obama fornece algumas informações sobre a sua formação islâmica em dois
livros,
Dreams (A Origem dos Meus Sonhos) e
The Audacity of Hope (A
Audácia da Esperança) (2006). Em 2007, quando Hillary Clinton ainda era a
predileta entre os candidatos democratas à presidência, vários jornalistas
trouxeram à tona informações sobre o período de Obama na Indonésia. As
declarações de Obama como presidente proporcionaram importantes insights em sua
mentalidade. Entretanto, as principais biografias sobre Obama, sejam elas
favoráveis (como as escritas por David Maraniss, David Mendell e David Remnick)
ou hostis (como as escritas por Jack Cashill, Jerome R. Corsi, Dinish D'Souza,
Aaron Klein, Edward Klein e Stanley Kurtz), dão pouca atenção a este tópico.
Vou considerar que ele nasceu e foi criado como muçulmano, apresentar provas
provenientes dos últimos anos, levantar impressões a seu respeito como muçulmano
e colocar o engodo em um contexto mais amplo da ficção autobiográfica de
Obama.
"Nunca Fui Muçulmano"
Obama reconhece de imediato que seu avô paterno, Hussein Onyango Obama,
converteu-se ao islamismo. A bem da verdade,
Dreams
(página 407) contém uma longa citação da sua avó paterna explicando os motivos
do avô ter agido assim: Para ele os costumes do cristianismo pareciam
"sentimentos tolos", "algo para consolar mulheres" e assim sendo, converteu-se
ao islamismo, acreditando que "suas práticas adequavam-se mais intimamente com
as suas convicções" (página 104). Obama disse de bom grado aos quatro ventos o
seguinte: por exemplo, quando perguntado por um barbeiro (página 149), "você é
muçulmano"? Ele respondia, "Meu avô era".
Obama apresenta seus pais e padrasto como não religiosos. Ele observa (em
Audacity,
páginas 2006, páginas. 204-05), que seu "pai foi criado como muçulmano" mas era
um "ateu convicto" quando conheceu a mãe de Barack, que por sua vez "professava
o secularismo". Seu padrasto,
Lolo
Soetoro, "como a maioria dos indonésios, foi criado como muçulmano", embora
não
praticante, sincrético que (
Dreams,
página 37) "praticava um ramo do islamismo que acomodava os remanescentes das
crenças animistas mais antigas e hindus".
Quanto a si próprio, Obama reconhece numerosas conexões com o islamismo, mas
nega ser muçulmano. "A única ligação que eu tive com o islamismo é que meu avô
paterno veio daquele país", declarou ele em
dezembro
de 2007. "Mas nunca fui praticante do islamismo. … Por um tempo morei na
Indonésia pelo fato da minha mãe estar lecionando lá. E é um país muçulmano. E
eu frequentei a escola. Mas não pratiquei". Na mesma linha, ele disse o seguinte
em
fevereiro
de 2008: "Nunca fui muçulmano" … a não ser pelo meu nome e pelo fato de ter
morado em um populoso país muçulmano por 4 anos quando era criança, tenho
pouquíssima ligação com a religião islâmica". Observe a declaração inequívoca:
"Nunca fui muçulmano" Sob a manchete, "Barack Obama Não É Nem Nunca Foi
Muçulmano," no primeiro site da Internet da campanha de Obama, portava uma
declaração ainda mais enfática em
novembro
de 2007, anunciando que "Obama nunca rezou em uma mesquita. Ele nunca foi
muçulmano, não foi criado como muçulmano e é um cristão devoto".
"Barry Era Muçulmano"
Porém, sobram provas sustentando que Obama nasceu e foi criado como
muçulmano:
(1)
O Islã é uma religião patriarcal: No Islã, o pai passa a sua fé
para os filhos e, quando um muçulmano tem filhos com uma mulher não muçulmana, o
islamismo considera os filhos muçulmanos. Como o avô e o pai de Obama eram
muçulmanos – o tamanho da devoção não tendo nenhuma importância – significa que,
aos olhos dos muçulmanos, Barack nasceu muçulmano.
(2)
Nomes próprios baseados na raiz trilateral H-S-N: Todos os nomes
como (Husayn ou Hussein, Hasan, Hassân, Hassanein, Ahsan e outros) são dados
exclusivamente a bebês muçulmanos. (O mesmo acontece com nomes baseados na raiz
H-M-D). O nome do meio de Obama, Hussein, proclama-o explicitamente um muçulmano
de nascença.
(3)
Matriculado como muçulmano no SD Katolik Santo Fransiskus Asisi:
Obama foi matriculado
em uma escola católica em Jacarta como "Barry Soetoro". Um documento ainda
existente lista-o corretamente como nascido em Honolulu em 4 de agosto de 1961,
além disso lista-o também como tendo nacionalidade indonésia e religião
muçulmana.
(4)
Matriculado como muçulmano na SD Besuki: Embora Besuki (também
chamado de SDN 1 Menteng) ser uma escola pública, Obama curiosamente refere-se a
ela em
Audacity (página 154) como "escola muçulmana", frequentada por ele
em Jacarta. Seus registros não existem mais, porém vários jornalistas (Haroon
Siddiqui do
Toronto
Star, Paul Watson do
Los
Angeles Times, David Maraniss do
Washington
Post) confirmaram que também lá ele foi matriculado como muçulmano.
(5)
Aulas de islamismo em Besuki: Obama cita (
Audacity, página
154) que em Besuki, "o professor enviou uma carta a minha mãe dizendo que eu fiz
caretas durante os estudos corânicos". Somente estudantes muçulmanos
frequentavam as aulas semanais de duas horas para estudar o Alcorão, Watson
relata:
dois de seus professores, a ex-vice-diretora Tine Hahiyari e o professor do
terceiro grau, disseram que lembram claramente que também nesta escola, ele
estava registrado como muçulmano, o que determinava as aulas que iria participar
durante as lições semanais de religião. "Estudantes muçulmanos recebiam aulas de
um professor muçulmano e estudantes cristãos recebiam aulas de um professor
cristão", afirmou Effendi.
Andrew Higgins do
Washington Post cita Rully Dasaad, ex-colega de
classe, dizendo que Obama fazia farra na sala de aula e durante os estudos do
Alcorão, era "ridicularizado devido a sua pronúncia engraçada".
Maraniss
descobriu que as aulas incluíam não apenas o estudo de "como rezar e como
entender o Alcorão", mas também rezar na prática nos serviços comunitários às
sextas-feiras nas dependências da escola.
(6) Comparecimento à mesquita:
Maya
Soetoro-Ng, a meia irmã mais nova de Obama, contou que seu pai (padrasto de
Barack) comparecia à mesquita "quando acorriam grandes eventos comunitários",
Barker constatou que "Obama às vezes acompanhava seu padrasto até a mesquita
para as rezas de sexta-feira". Watson relata o seguinte:
Os amigos de infância dizem que às vezes Obama comparecia às rezas de
sexta-feira na mesquita local. "Nós rezávamos, mas não com muita seriedade,
apenas acompanhávamos o que os mais velhos faziam na mesquita. Segundo Zulfin
Adi, que se descreve como um dos amigos de infância mais íntimos de Obama
relata; como crianças, gostávamos de encontrar nossos amigos e ir à mesquita
juntos e brincar". … Eventualmente, informa Adi, quando o muezin (aquele que
chama os crentes às orações) soava a chamada à reza, Lolo e Barry iam juntos, a
pé, até a mesquita improvisada. "Sua mãe ia frequentemente à igreja, mas Barry
era muçulmano. Ele ia à mesquita", revela Adi.
(7)
Vestimenta muçulmana: Sobre Obama, Adi recorda, "Lembro-me dele
usando sarongue". Da mesma forma,
Maraniss
descobriu que não somente "seus colegas de classe se recordam de Barry usando
sarongue", mas que a troca de correspondências indica que ele continuou a usar
esta vestimenta nos Estados Unidos. Este fato acarreta implicações religiosas,
visto que, na cultura indonésia,
somente muçulmanos
usam sarongues.
(8)
Devoção:
Obama
afirma que na Indonésia, ele "não praticava o [islamismo]", uma asserção que
involuntariamente reconhece sua identidade muçulmana implicando que ele era um
muçulmano não praticante. Contudo, vários daqueles que o conheciam contradizem
esta lembrança. Rony Amir retrata Obama como "muito devoto ao Islã no passado".
Tine Hahiyary, ex-professora de Obama, citada no
Kaltim
Post, afirma que o futuro presidente participou de estudos religiosos
islâmicos avançados: "Eu lembro que ele tinha estudado
mengaji". No
contexto do islamismo do sudeste asiático,
mengaji
Quran significa
recitar o Alcorão em árabe, uma tarefa difícil
denotando
estudo
avançado.
Em síntese, o histórico indica que Obama nasceu muçulmano tendo como pai um
muçulmano não praticante, tendo vivido por quatro anos em um meio totalmente
muçulmano sob a proteção do padrasto muçulmano indonésio. Por estas razões,
aqueles que conheceram Obama na Indonésia consideravam-no muçulmano.
"Minha Fé Muçulmana"
Além disso, várias declarações feitas por Obama nos últimos anos apontam para
a sua infância muçulmana.
(1) Robert Gibbs, diretor de comunicações da campanha da primeira corrida
presidencial de Obama, assegurou em
janeiro de
2007: "O Senador Obama nunca foi muçulmano, não foi criado como muçulmano e
é um cristão devoto que frequenta a Igreja Unida de Cristo em Chicago". Mas
recuou em
março de
2007, garantindo que "Obama nunca foi um muçulmano praticante". Ao colocar
em foco a prática quando criança, a campanha levanta uma questão que não faz a
menor diferença para os muçulmanos (assim como para os judeus), já que não
consideram a prática central a identidade religiosa. Gibbs acrescenta, de acordo
com a paráfrase de Watson
, "quando criança, Obama ficava no centro
islâmico vizinho". Obviamente, "o centro islâmico vizinho" é um eufemismo de
"mesquita", enquanto ficar lá aponta novamente Obama como sendo muçulmano.
(2) Ele pode ter feito caretas e farreado durante as aulas do Alcorão, mas
Obama aprendeu a orar a
salat nas aulas de religião; seu ex-professor em
Besuki,
Effendi,
lembra que ele "se juntava aos outros alunos nas orações muçulmanas". Orar a
salat por si só fez de Obama um muçulmano. Além do mais, ele
orgulhosamente preserva o conhecimento das aulas de outrora: em março de 2007,
Nicholas D. Kristof do
New
York Times, viu Obama "recordar o início da chamada árabe para a oração,
recitando-a [para Kristof] com excelente pronúncia". Obama não recitou a
salat propriamente dita e sim o
adhan, a chamada para a reza
(normalmente cantada dos minaretes). A segunda e a terceira linhas do
adhan constituem a declaração da fé islâmica, a
shahada, cuja mera
elocução torna aquele que a pronuncia um muçulmano. O
adhan completo na
iteração sunita (pulando as repetições) é o seguinte:
Deus é o maior.
Testemunho de que não há outra divindade além
de Deus.
Testemunho de que Maomé é o Mensageiro de Deus.
Vinde para a
Oração.
Vinde para a salvação.
Deus é o maior.
Não há outra divindade
além de Deus.
Aos olhos dos muçulmanos, recitar o
adhan na classe em 1970 tornou
Obama na mesma hora muçulmano – e recitá-lo para um jornalista em 2007 tornou-o
novamente muçulmano.
(3) Em uma conversa com George Stephanopoulos em setembro de 2008, Obama
falou da "
minha fé
muçulmana", mudando o que tinha acabado de dizer para "minha fé cristã"
somente após Stephanopoulos interromper e corrigi-lo. Ninguém deixaria escapar
"minha fé muçulmana" a menos que houvesse alguma base para tal engano.
(4) Ao discursar perante platéias muçulmanas, Obama usa especificamente
frases muçulmanas que evocam sua identidade muçulmana. Ele discursou perante
ambas as platéias no Cairo (em
junho
de 2009) e em Jacarta (em
novembro
de 2010) proferindo a saudação "as-salaamu alaykum", esta que ele,
participando das aulas do Alcorão, sabe que é reservada para um muçulmano
saudando outro muçulmano. No Cairo, ele também usou diversos termos empregados
pelos devotos sinalizando aos muçulmanos ser ele um deles:
- "o Sagrado Alcorão" (termo mencionado cinco vezes): uma tradução exata da
referência árabe padrão dos livros sagrados, al-Qur'an al-Karim.
- "o caminho certo": tradução de as-sirat al-mustaqim, do árabe, em que
os muçulmanos pedem a Deus para que Ele os guie toda vez que estiverem orando.
- "Conheci o islamismo em três continentes antes de vir à região onde ele foi
revelado pela primeira vez": não muçulmanos não se referem ao Islã como
revelado.
- "a história de Isra, quando Moisés, Jesus e Maomé … oraram juntos": este
conto corânico de uma jornada noturna estabelece a liderança de Maomé sobre as
outras figuras sagradas, incluindo Jesus.
- "Moisés, Jesus e Maomé, que a paz esteja com eles": tradução do árabe
'alayhim as-salam, que os muçulmanos devotos dizem após mencionar os
nomes dos profetas mortos, menos Maomé. (Uma saudação diferente, sall Allahu
ʿalayhi wa-sallam, "que a paz e as benções de Alá estejam com ele", segue
adequadamente o nome de Maomé, mas esta frase é praticamente nunca dita em
inglês).
Obama dizer "Que a paz esteja com eles" acarreta outras implicações além de
ser meramente a formulação de uma frase islâmica nunca usada por cristãos e
judeus que falam o idioma árabe. Primeiro, contradiz aquilo em que um cristão
declarado acredita, por implicar que Jesus, bem como Moisés e Maomé estão
mortos, a teologia cristã acredita que Ele tenha ressuscitado, esteja vivo e
seja o Filho imortal de Deus. Segundo, incluir Maomé nesta benção implica
reverenciá-lo, algo tão estranho quanto um judeu conversar sobre
Jesus
Cristo. Terceiro, um cristão iria com mais naturalidade buscar a paz
vinda de Jesus do que desejar que a paz estivesse com ele.
(5) A descrição exagerada e incorreta de Obama do Islã nos Estados Unidos é
típica de uma mentalidade islamista. Ele superestima drasticamente tanto o
número quanto o papel dos muçulmanos nos Estados Unidos, ao anunciar em
junho
de 2009 que "se fosse contado o número de muçulmanos americanos, nós
seríamos um dos maiores países muçulmanos do mundo". Altamente improvável: de
acordo com uma
listagem
das populações muçulmanas, os Estados Unidos, com cerca de
2,5
milhões de muçulmanos, encontra-se na 47
ª posição).
Três
dias depois, ele apareceu com uma estimativa inflada de "cerca de 7 milhões
de muçulmanos americanos hoje em nosso país" e de modo bizarro anunciou que o
"Islã sempre fez parte da história dos EUA. … desde nossa fundação, os
muçulmanos americanos enriqueceram os Estados Unidos". Obama também anunciou um
fato duvidoso em
abril
de 2009, que muitos americanos "têm muçulmanos em suas famílias ou moraram
em algum país de maioria muçulmana". Ao realizar a disposição das comunidades
religiosas nos Estados Unidos, Obama sempre oferece o primeiro lugar aos
cristãos e o segundo lugar varia entre judeus e muçulmanos, sobretudo em seu
discurso de posse em
janeiro de 2009:
"Os Estados Unidos é uma nação de cristãos e muçulmanos, judeus e hindus e não
crentes". Obama superestimou de forma tão exagerada o papel muçulmano na vida
americana que indica uma mentalidade supremacista islâmica, específica de alguém
vindo de uma formação muçulmana.
Levando tudo em conta, as declarações confirmam os sinais da infância de
Obama de que ele nasceu e foi criado como muçulmano.
"Toda A Minha Família Era Muçulmana"
Várias pessoas que conhecem bem Obama o veem como muçulmano. O mais notável é
que sua meia irmã,
Maya
Soetoro-Ng, declarou: "Toda a minha família era Muçulmana" Toda a família
dela, obviamente inclui seu meio irmão Barack.
Em
junho
de 2006, Obama contou como, após uma longa evolução religiosa, "um dia
finalmente consegui caminhar pelo corredor da Igreja da Trindade Unida na Rua 95
na região sul de Chicago e atestar a minha fé cristã" com uma
chamada
ao altar. Mas quando o seu pastor da Trindade Unida, Rev. Jeremiah Wright,
foi questionado (por
Edward Klein,
The
Amateur, página 40), "o senhor converteu Obama do islamismo para o
catolicismo"? Se por ignorância ou discrição, Wright refinou a pergunta,
respondendo enigmaticamente: "Difícil de se dizer". Observe que ele não rejeitou
de imediato a ideia de que Obama tinha sido muçulmano.
George
Hussein Onyango Obama, meio irmão de 30 anos de Barack, que encontrou-se com
ele duas vezes, disse a um entrevistador em março de 2009 que "ele pode estar se
comportando de maneira diferente devido a posição que ocupa, mas por dentro
Barack Obama é muçulmano".
"O Seu Nome Do Meio É Hussein"
Os muçulmanos não são capazes de livrar-se da sensação de que, sob sua
proclamada identidade cristã, Obama verdadeiramente é um deles.
Recep
Tayyip Erdoğan, primeiro ministro da Turquia, referiu-se a
Hussein
como um nome "muçulmano". Conversas entre muçulmanos sobre Obama às vezes
mencionam
seu nome do meio como código, sem necessidade de comentários adicionais. Uma
conversa em
Beirute, citada no
Christian Science Monitor, capta essa impressão.
"Ele tem que ser bom para os árabes, já que ele é muçulmano", observou um
merceeiro. "Ele não é muçulmano, ele é cristão" respondeu um cliente. Não, disse
o merceeiro, "ele não pode ser cristão. O seu nome do meio é Hussein" O nome é a
prova positiva.
A escritora muçulmana americana
Asma
Gull Hasan escreveu em "My Muslim President Obama",
Eu sei que o Presidente Obama não é muçulmano, mas mesmo assim estou
inclinada a acreditar que ele é, como a maioria dos muçulmanos que conheço
também acredita. Em uma pesquisa de opinião nada científica, abrangendo desde
familiares até conhecidos, muitos de nós sentem … que temos em Barack Hussein
Obama o primeiro presidente americano muçulmano. … desde o dia da eleição, eu
tomei parte em muitas conversas com muçulmanos em que havia a aceitação imediata
ou deixavam escapar entusiasticamente que Obama é muçulmano. Em comentários
sobre o nosso novo presidente, "eu tenho que apoiar meu irmão e patrício
muçulmano", escapava da minha boca antes que eu pudesse pensar duas vezes.
"Então, eu sei que ele não é realmente muçulmano", acrescentava eu. Mas se eu
estivesse conversando com um muçulmano, ele diria, "é sim".
A título de explicação, Hasan menciona o nome do meio de Obama. Ela conclui:
"A maioria dos muçulmanos que eu conheço (inclusive eu) parece não aceitar que
Obama não seja muçulmano".
Se os muçulmanos têm estas sensações, não é de se surpreender que o público
americano também as tenha. Cinco pesquisas de opinião realizadas entre 2008 e
2009 pelo
Pew
Research Center for the People and the Press com a pergunta "Você sabe qual
é a religião de Barack Obama"? constataram uma consistência de que 11 a 12 por
cento de eleitores americanos declararam ser ele realmente muçulmano, sendo que
as porcentagens bem maiores encontravam-se entre republicanos e evangélicos. O
número subiu para 18 por cento em uma pesquisa do Pew em
agosto
de 2010. Uma pesquisa de opinião realizada em
março
de 2012 descobriu que a metade dos prováveis eleitores republicanos tanto no
Alabama quanto no Mississippi considera Obama muçulmano. A pesquisa realizada
pelo Pew de
junho
a julho de 2012 mostrou que 17 por cento dos entrevistados responderam que
Obama é muçulmano e 31 por cento disseram que não sabiam qual era a sua religião
e, apenas 49 por cento identificaram-no como cristão. Isso se traduz em uma
divisão equilibrada entre os que acreditam que Obama é cristão e aqueles que não
acreditam que ele seja cristão.
O fato de que aqueles que o veem como muçulmano praticamente na totalidade
também desaprovam o seu desempenho em sua função, aponta para uma correlação em
suas mentes entre a identidade muçulmana e a presidência fracassada. Que uma
parcela substancial do público persista nesse modo de avaliação expõe o alicerce
de relutância de pegar Obama pela palavra sobre ser cristão. O que por sua vez
reflete a acepção amplamente difundida de que Obama não levou a sério sua
biografia.
"Ele Estava Interessado no Islã"
- Enquanto cursava na Indonésia, Obama participava de forma memorável das
aulas corânicas; pouco conhecido, conforme recorda ele em março
de 2004, era o "estudo da Bíblia e catecismo" na escola Asisi. Como estas
aulas eram destinadas apenas aos crentes, participar de ambas estava errado.
Vários ex-professores confirmam as lembranças de Obama. A seguir três deles
falam a respeito:
- A professora da primeira série de Obama na escola Asisi, Israella Dharmawan,
relata a Watson do Los
Angeles Times: "Naquela época, Barry também rezava como católico, mas
Barry era muçulmano. … Ele foi matriculado como muçulmano porque seu pai, Lolo
Soetoro, era muçulmano".
- O professor da terceira série de Obama em Besuki, Effendi, relatou a Anne
Barrowclough do Times
(de Londres), que a escola tinha alunos de várias religiões e se lembrava
como os alunos participavam das aulas de suas próprias religiões – menos Obama,
que insistia em participar tanto das aulas da religião cristã quanto da
islâmica. E participava de ambas mesmo contrariando a sua mãe cristã: "A mãe
dele não gostava que ele estudasse o Islã, mesmo seu pai sendo muçulmano. Às
vezes ela vinha à escola, ela estava zangada com o professor de religião e disse
'Por que você o ensina o Alcorão'? Mas ele continuava a frequentar as aulas
porque estava interessado no Islã".
- Um administrador em Besuki, Akhmad Solikhin, mostrou (a um jornal indonésio
o Kaltim Post em janeiro de 2007, tradução fornecida por "Um
Americano Expatriado no Sudeste da Ásia," aspas acrescidas para maior
clareza) perplexidade quanto à religião de Obama: "Ele realmente foi matriculado
como muçulmano, mas alega ser cristão".
Esta dupla religiosidade, com certeza, começou a ser discutida quando Obama
se tornou uma figura internacional e quando a natureza da sua afiliação
religiosa acarretou implicações políticas; ainda assim, o fato de três figuras
do seu passado indonésio terem independentemente afirmado o mesmo é
extraordinário e aponta para a complexidade do desenvolvimento pessoal de Barack
Obama. Também levantam a fascinante e inconclusiva possibilidade que Obama, já
na tenra idade entre seis e dez anos, procurou combinar as religiões materna e
paterna em um todo sincrético pessoal, apresentando-se como cristão e como
muçulmano. De forma sutil, é exatamente isso que ele ainda faz.
Descobrindo a Verdade
Concluindo, as provas disponíveis indicam que Obama nasceu e foi criado como
muçulmano e reteve uma identidade muçulmana até o final de seus 20 e tantos
anos. Filho de uma linhagem de muçulmanos do sexo masculino, recebeu um nome
muçulmano, foi matriculado como muçulmano em duas escolas na Indonésia, estudava
o Alcorão nas aulas de religião, ainda recita a declaração da fé islâmica e
discursa para as platéias muçulmanas como um patrício crente. Entre o pai
muçulmano não praticante, padrasto muçulmano e quatro anos vivendo no meio
muçulmano, ele era visto e se via como muçulmano.
Isso não quer dizer que ele era um muçulmano praticante ou que continua
muçulmano hoje, muito menos islamista, nem que o seu histórico muçulmano
influencia significativamente seu enfoque político (que é típico de um americano
de esquerda). Nem que haja algum problema quanto a sua conversão do islamismo
para o catolicismo. O problema é Obama ter especificamente e repetidamente
mentido sobre a sua identidade muçulmana. Mais do que qualquer outro simples
engodo, a forma que Obama trata seu próprio histórico religioso expõe sua
fraqueza moral.
Dúvidas sobre a Honestidade de Obama
E assim, elas permanecem desconhecidas do eleitorado americano. Veja o
contraste desse caso com o de James Frey, autor de
A Million Little
Pieces. Tanto Frey quanto Obama escreveram memórias incorretas que Oprah
Winfrey endossou e subiu para o primeiro ligar na lista de bestsellers não
ficção. Quando os artifícios literários de Frey sobre o seu consumo de drogas e
criminalidade se tornaram aparentes, Winfrey caiu em cima dele de forma cruel,
uma biblioteca reclassificou seu livro como ficção e a editora ofereceu a
devolução do dinheiro aos clientes que se sentiram ludibriados. Já as falsidades
de Obama são alegremente desculpadas,
Arnold
Rampersad, professor de inglês da Universidade de Stanford, que leciona
autobiografia, considerou
Dreams uma obra admirável "repleta de truques
inteligentes—invenções com o intuito de obter efeito literário — que fiquei
agradavelmente surpreendido, porque não dizer estupefato. Mas não se engane, são
simples truques que fazem parte do jogo e a partir desses truques supõe-se que a
verdade surgirá".
Gerald
Early, professor de literatura inglesa e de estudos afro-americanos na
Universidade de Washington em St. Louis, vai mais além: "Não importa se ele
inventou coisas. … Não acho que seja importante se Barack Obama falou ou não a
absoluta verdade em
Dreams From My Father. O que importa é como ele quer
conceber a sua vida".
Estranho que uma história do submundo sobre suas atividades sórdidas inspirem
altos padrões morais e que a autobiografia do presidente dos Estados Unidos seja
aprovada. Dick Ardiloso, abra espaço para Barry Fraudulento.
O Sr. Pipes é o presidente do Middle East Forum. © 2012 por Daniel Pipes.
Todos os direitos reservados.
Original em inglês: Obama's Muslim Childhood